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11/10/2011

NUTRACÊUTICOS – Revista Anfarmag - Por Benoni Luiz Squizani

1. O que são os nutracêuticos e qual sua origem?

O termo "nutracêutico" foi criado por De Felice em 1989, em um esforço para distinguir alimento medicinal (funcional) de medicamento (droga) e foi definido como "qualquer substância considerada alimento ou parte de alimento que oferece benefícios à saúde, incluindo a prevenção e o tratamento de doenças".
São definidos como "alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais ou de saúde e que podem, além de funções nutricionais básicas quando se tratar de nutriente, produzir efeitos metabólicos e/ou fisiológicos positivos à saúde, devendo ser seguro para o consumo sem supervisão médica".

2. Quando este conceito chegou no Brasil?

No início dos anos 90 surgiram os primeiros pedidos de registros de produtos até então não reconhecidos como alimentos, dentro do conceito tradicional de alimento. A Vigilância Sanitária sempre se posicionou contrária à aprovação e utilização desses produtos como alimentos.

Somente em 1999, foi publicada no DOU, depois de aprovada pela Vigilância Sanitária,  a regulamentação técnica para análise de novos alimentos e ingredientes, inclusive os chamados “Alimentos Funcionais”, também conhecidos por Nutracêuticos.

3. Quais as principais diferenças entre produtos fitoterápicos, suplementos alimentares, alimentos funcionais e nutracêuticos?

Os Fitoterápicos, hoje no Brasil, são considerados medicamentos e seguem legislação própria .

Os Suplementos Alimentares são alimentos onde se destaca uma ou mais substâncias que trazem benefícios quando associado à dieta diária das pessoas. Como exemplo podemos citar o cereal integral rico em fibras, que agrega o benefício das fibras ao intestino.

Os Nutracêuticos são alimentos comercializados sob forma farmacêutica: pílulas, cápsulas, comprimidos e pós.

Os Alimentos Funcionais tem uma variedade de tipos comerciais, tais como: bebidas prontas, pós para bebidas, produtos lácteos (sorvetes, iogurtes), refeições preparadas (hambúrgueres de soja), doces, barras nutricionais, pães e cereais matinais.

4. Quais são as principais classes de nutracêuticos?

Fitoquímicos, Prebióticos e Probióticos; Alimentos Diet e Light e Alimentos Fortificados.

Substâncias Fitoquímicas: nutrientes de cura multifacetados, descobertos recentemente, eliminam a lacuna entre a nutrição básica e a superalimentação. Possuem ação semelhante à da vitamina C no corpo humano, tem efeito de fortalecer a tonicidade da parede dos pequenos vasos sanguíneos, melhoram a permeabilidade capilar. Também inibem a ação da histamina, pois tem forte ação antioxidante. Esses compostos estão espalhados no reino vegetal e entre os exemplos estão mais de 600 carotenóides nas frutas cítricas e nos vegetais amarelos, nas pimentas e outros. Os mais conhecidos são: a rutina, a hesperidina, e a quercetina, inibidores de protease em produtos de soja, e proantocianidinas no extrato de semente de uva.     

Prebióticos: são fibras solúveis que servem de ingredientes para alimentos funcionais. O fruto-oligossacarídeo (FOS) e o isomalto-oligossacarídeo (IMO) são produzidos a partir da cana-de-açúcar, atuando como fibras alimentares passam pelo trato gastro-intestinal superior sem serem absorvidos, chegando incólumes ao cólon onde servem de substrato as bifidobactérias e lactobacilos, substâncias altamente benéficas ao organismo.

Probióticos: são alimentos que contém microorganismos vivos, capazes de promover o equilíbrio da flora intestinal. As bactérias probióticas mais comumente estudadas incluem os gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium. Nos produtos lácteos fermentados podem ser cultivados estes microorganismos probióticos, que vão se desenvolver no intestino, quando ingeridos como flora não patogênica com propriedades antidiarréica, anti-constipante, antiflatulência, entre outras.

Alimentos Diet: são aqueles alimentos utilizados por pessoas diabéticas ou que desejam diminuir suas formas. Constituídos por edulcorantes não calóricos.

Alimentos Light: são aqueles que tem uma redução de 25% de açúcares, o que reduz seu valor energético.

Alimentos Fortificados: são alimentos adicionados de nutrientes com finalidade específica de obter um efeito fisiológico. Por exemplo, o sal de cozinha é fortificado com iodeto de sódio para evitar o bócio. Mais recentemente a ANVISA determinou que as farinhas de trigo sejam fortificadas com sulfato ferroso, para prevenir anemias.

5. Os nutracêuticos têm outras finalidades além das terapêuticas?

Suplementos ou medicamentos?

Um reflexo do uso atual dos suplementos é que na maioria das farmácias são comercializados e expostos junto com medicamentos de venda livre, sem prescrição. Ambos os produtos fazem alegações à saúde e as formas de apresentação são as mesmas, em cápsulas, comprimidos ou pós.

A questão é: qual a diferença entre nutracêutico e medicamento?

Não há uma resposta simples para essa questão.

De acordo com a Legislação os medicamentos, sejam esses alopáticos, homeopáticos ou fitoterápicos, podem fazer afirmações sobre sua ação terapêutica, digo, a capacidade do produto de evitar dores de cabeça ou lombargia, por exemplo. Mas, tal afirmação, exige demonstração de segurança e eficácia do medicamento.

De outro lado, os nutracêuticos seguem uma Regulamentação distinta, que regulamenta o comércio desses produtos, definindo-os como “produtos que tem o objetivo de complementar a alimentação diária de uma pessoa saudável, no caso de sua ingestão, a partir da alimentação, quando a ingesta for insuficiente ou a dieta exija suplementação”.

Os suplementos não são submetidos às mesmas exigências, de testes rigorosos e avaliação minuciosos, como os medicamentos e, portanto, os rótulos dos suplementos NÃO PODEM CONTER INDICAÇOES TERAPÊUTICAS, em outras palavras, não pode garantir a cura ou a prevenção de doenças.

Pois, se contiver tal informação terapêutica, as pessoas, preocupadas com sua saúde, tendem a se agarrar a qualquer informação que lhe proponha um  equilíbrio homeostático.

Para garantir a verdade nos rótulos dos produtos nutracêuticos a Lei determina que esses devem conter informações sobre as funções cientificamente comprovadas, descrevendo o papel fisiológico desses nutrientes no desenvolvimento das funções do organismo.

Outra pergunta, essa porém mais fácil de responder é, se muitos nutracêuticos realmente agem como medicamento  e usualmente são tidos como tal, porque não testá-los e submetê-los ao rigor dos medicamentos, proporcionando serem vendidos como esses? Porque os suplementos nutracêuticos são extraídos de fontes naturais, não podendo por isso ser patenteados. Assim, não há incentivo financeiro para  que os fabricantes gastem milhões no processo de pesquisa e aprovação para que um nutriente alcance o status de um medicamento.

Um exemplo, pega-se uma planta da Amazônia, estuda-se até ser aprovado, uma vez aprovado qualquer indústria poderá vender o mesmo produto. As substâncias comercializadas hoje como medicamentos foram modificadas em laboratórios para criar um produto único e, por isso, podem ser patenteadas.

No momento as afirmações nos rótulos de nutracêuticos não são equivalentes àquelas encontradas na maioria dos rótulos dos medicamentos ou tão rigorosas quanto essas.

6. Quais as especialidades médicas que mais indicam nutracêuticos?

Muitos profissionais de saúde possuem conhecimentos sobre suplementos e podem fornecer informações gerais, bem como aconselhar, baseado na avaliação das necessidades específicas do paciente.  Antes de consultar um profissional alternativo pergunte sobre sua formação e experiência com nutracêuticos e fitoterápicos. Tenha cuidado com quem promete curas muito rápidas ou fáceis, ou ainda, que desejam fazer tratamentos muito caro.

Há quatro profissionais que se destacam nesse setor e que estão habilitados a dar informações seguras:

Médico fitoterapêuta: são médicos formados por escolas de medicina tradicionais, inscritos nos Conselhos Regionais de Medicina e licenciados para a prática médica, com a diferença de indicarem os medicamentos fitoterápicos e os suplementos nutricionais, além dos alopáticos. A maioria das vezes esses médicos são clínicos gerais que se especializam em problemas médicos comuns.

Naturopata: médicos que acreditam no poder de cura da natureza, incluindo os recursos inatos do corpo humano para tratamento de problemas de saúde. O Médico Naturopata e o paciente trabalham juntos para ajudar o corpo a promover seu próprio bem-estar. Prevenir as doenças  é o objetivo desses médicos que podem usar suplementos nutricionais e fitoterápicos como tônicos preventivos.

Nutricionista: esse profissional lhe perguntará sobre seus hábitos alimentares e regularidade de atividade física, bem como seu estilo de vida, a fim de sugerir ajustes. É um profissional com formação universitária, com Conselho Regional e Federal que regulamentam a atividade.

Farmacêutico: é o profissional de saúde mais acessível. O treinamento por meio de curso de graduação o habilita a três áreas: análises clínicas, industrial de medicamentos e tecnologia bioquímica em alimentos. Por tanto, um farmacêutico pode ser capaz de responder a muitas de suas dúvidas sobre tratamentos nutricionais e à base de plantas, e também, recomendar os possíveis benefícios, limitações e efeitos colaterais de suplementos específicos, que você esteja ingerindo, considerando suas condições físicas. Cabe ressaltar que, cada vez mais, as revistas da área farmacêutica e as associações de profissionais estão abordando esse tema.

7. Os nutracêuticos podem ser indicados no tratamento de reposição hormonal? Quais as doenças cuja eficácia dos nutracêuticos foi provada cientificamente?

8. O Brasil sabe aproveitar a sua biodiversidade em prol de pesquisas científicas sobre nutracêuticos? Quais as descobertas mais recentes neste âmbito?

Há alguns trabalhos de pesquisa sendo realizados em algumas universidades, com poucos recursos e muito entusiasmo por parte dos dicentes e docentes. Porque nosso país não investe em pesquisa. E, ainda existe uma distância muito grande entre a iniciativa privada e a universidade de modo geral.

Artigo: Os Nutracêuticos

Os avanços nas ciências moleculares e biológicas têm conduzido à descoberta de novas vias metabólicas e necessidades nutricionais do corpo humano. Como resultado, mais de 100 milhões de pessoas tem sido atraídas a usar os nutracêuticos, como suplementos vitamínicos e minerais e os fitonutrientes.

Definindo um nutracêutico:é uma substância alimentar que se apresenta naturalmente em formas farmacêuticas, incluindo os suplementos alimentares definidos pela Legislação, assim como as substâncias compatíveis para ingestão oral.

No Brasil a portaria n.ª 398 de 30/04/99 fornece a definição legal de nutracêutico: “todo o alimento ou ingrediente que, além das funções nutricionais básicas, quando consumido como parte da dieta usual, produz efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos á saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica”. Considerando o princípio de Hipócrates “faça do seu alimento seu medicamento”.

As descobertas científicas relacionadas à nutrição têm sido muito divulgadas em um curto espaço de tempo e, muitos consumidores correm para as lojas de produtos naturais para comprar os últimos lançamentos. Eles esperam encontrar uma orientação experiente de um farmacêutico, que é um profissional treinado para informar sobre a segurança e eficácia dos nutracêuticos, porque os nutracêuticos são produzidos em formas farmacêuticas (cápsulas, comprimidos, pastilhas, elixires, etc). Freqüentemente os pacientes vêem esses produtos como coadjuvantes importantes em relação ao uso de medicamento prescrito e é o farmacêutico que comumente alerta o paciente quanto a potenciais interações entre fármaco/alimento ou fármaco/nutriente. Os farmacêuticos que conhecem seus pacientes e estão preocupados com a sua escolha podem aconselhar sobre a combinação segura e apropriada de medicamentos e nutracêuticos. Os farmacêuticos devem ter em mente que muitos médicos sentem-se desconfortáveis em prescrever os nutracêuticos em seus consultórios. Pois, tradicionalmente, os farmacêuticos são os fornecedores dos produtos farmacêuticos recomendados pelos médicos. Então, os farmacêuticos podem assumir o mesmo papel como fornecedores de nutracêuticos. É uma oportunidade de ampliar a atenção farmacêutica, ajudando os consumidores a escolherem corretamente os produtos para a manutenção da saúde. Essa postura deve ser assumida com a consciência a respeito do uso concomitante dessas substâncias, que são potentes e precisam ser utilizados em dosagens adequadas, de suplementos, medicamentos e alimentos.

O farmacêutico está em condições de suprir esta lacuna e oferecer assistência a seus clientes, que buscam tratamentos indicados por profissionais especializados ou que escolhem por conta própria  e, é de sua responsabilidade utilizar os nutracêuticos.

Que tipo de aconselhamento? Quando o assunto é nutracêutico, os farmacêuticos possuem o conhecimento para ajudar os consumidores, como por exemplo: no caso de um suplemento vitamínico que contenha vitamina K: como esse interfere na coagulação sanguínea? O alho diminuirá minha pressão sanguínea permitindo que eu reduza o medicamento para o tratamento da pressão? E os gliconutrientes, afetam minha diabete?

As interações de medicamentos com os nutracêuticos representam uma preocupação vital da saúde pública, especialmente para os consumidores que relutam em informar seu médico sobre o consumo dos nutracêuticos. Certamente porque muitos médicos têm uma postura cética em relação aos nutracêuticos ou esqueceram do princípio de Hipócrates.

De acordo com a legislação faz-se distinção entre os nutracêuticos:

 - Alegação de propriedade funcional: é aquela relativa ao papel metabólico ou fisiológico que uma substância (seja nutriente ou não) têm no crescimento, no desenvolvimento, manutenção e nas outras funções normais do organismo humano.

- Alegação de propriedade de saúde: é aquela que afirma, sugere ou implica a existência de relação entre o alimento ou ingrediente com a doença ou condição relacionada à saúde. Não são permitidas alegações de saúde que façam referência à cura ou prevenção de doenças. Dessa forma os novos alimentos que sugerirem a cura deverão trazer em seu rótulo qual é o beneficio para a fisiologia humana e porque reduz o risco de determinada doença, informação que deverá ser comprovada através de pesquisas científicas.

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